Sebastião Dayrell de Lima

10/06/2026

Um mineiro à frente da Anfavea

A indústria fabricante de autoveículos só chegou com força efetiva às Minas Gerais em 1976, com a inauguração da Fiat Automóveis. Mas bem antes disso o estado esteve muito bem representado na presidência da Anfavea por Sebastião Dayrell de Lima, seu terceiro presidente (mandato 1964 a 1966).

Ele nasceu em 1907 no município mineiro de Serro, parte do Caminho dos Diamantes e da Estrada Real – e primeira cidade do Brasil a ter seu conjunto arquitetônico e urbanístico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ainda em 1938.

Formou-se em Direito pela Universidade de Minas Gerais em 1931 e foi trabalhar no Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais. Ao mesmo tempo fundou e foi tesoureiro da Associação Assistencial ao Pequeno Jornaleiro (crianças que antigamente trabalhavam vendendo jornais nas ruas – “Extra! Extra!”), instituição beneficente de Belo Horizonte.

Por seu trabalho, no início dos anos 1950 esteve muito próximo de Juscelino Kubitschek, então governador de Minas Gerais. Quando assumiu a presidência, JK convenceu os franceses da fabricante de automóveis Simca a virem ao Brasil, o que acabou acontecendo em 1958, mas com capital majoritariamente nacional. A Simca originariamente se instalaria em Minas Gerais, e Juscelino sugeriu o nome de Sebastião Dayrell de Lima para o cargo de diretor-financeiro da empresa. Em 1960 ele passaria a diretor-geral e no ano seguinte a diretor-presidente.

Mas, em 1961, por acordo com a matriz francesa, a Simca decidiu trocar Minas Gerais por São Bernardo do Campo, aproveitando instalações temporárias já em funcionamento. Contrário à medida, Sebastião Dayrell renunciou ao cargo, mas atendeu a súplicas de JK para seguir no comando da Simca e ajudar no desenvolvimento da indústria automobilística nacional, então ainda muito jovem.

Notadamente uma liderança setorial, ele foi eleito Vice-Presidente da Anfavea em 1962. Na condição de diretor-presidente da Simca, discursou em 1964: “A implantação de nossa indústria não se fez à custa de privilégios ou favores excepcionais. Não tivemos quaisquer concessões oficiais que antes ou depois não tivessem merecido igualmente outros setores industriais considerados de interesse para a economia nacional. Não recebemos e não solicitamos tratamento diferente. Os estímulos que nos foram oferecidos já foram largamente devolvidos por meio de impostos e contribuições fiscais, que não teriam existido se nós não tivéssemos aqui nos estabelecido.”

Em 1964 foi eleito Presidente da Anfavea, e à cerimônia de posse compareceu Argeu Egidio dos Santos, presidente da Federação dos Trabalhadores da Indústria Metalúrgica do Estado de São Paulo – algo raro naqueles tempos. A revista Manchete da época considerou esta “demonstração de harmonia dominante entre líderes”. Já o Correio da Manhã (RJ) chamou Sebastião Dayrell de Lima de “figura de relevo nos meios empresariais”.

Após o término de seu mandato continuou à frente da Simca, até que a Chrysler comprou a empresa e o executivo deixou a companhia, em 1967, retornando ao Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais como Vice-Presidente. Permaneceu no posto até 1972, quando a instituição foi adquirida pelo Banco Nacional, também originário de Minas Gerais.

Sebastião Dayrell de Lima foi também diretor da Fiesp, membro do conselho consultivo da Usiminas, da Cia. Telefônica de Minas Gerais e do conselho fiscal da Cia. Industrial de Belo Horizonte.

Ele foi casado com Maria de Lourdes Flecha. Tiveram quatro filhos, sendo um deles Paulo Tarso Flecha de Lima, um dos mais conhecidos e respeitados diplomatas brasileiros.

Sebastião Dayrell de Lima morreu logo após completar 69 anos, em 1976, em Belo Horizonte. Como homenagem, o terceiro presidente da Anfavea dá nome atualmente a uma rua em Belo Horizonte e a uma avenida em Betim – cidade-sede, justamente, da Fiat Automóveis.

Márcio de Lima Leite
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Luiz Carlos Moraes
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Antonio Megale
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