Oscar Augusto de Carvalho
10/06/2026
Da indústria têxtil para a automobilística
O quarto presidente da Anfavea, Oscar Augusto de Carvalho, foi o que mais tempo permaneceu no cargo: foram ao todo oito anos, distribuídos por três mandatos, de 1966 a 1974. E isso não ocorreu por mera obra do acaso.
Nascido no bairro paulistano do Brás, em 1908, era um de dez irmãos. O pai era marceneiro e, para ajudar no sustento familiar, Oscar começou a trabalhar muito cedo, aos 12 anos, como office boy de um escritório de advocacia, o Souza Aranha. Já atuando com afinco e dedicação, foi promovido e lá ficou por oito anos, até 1930.
Isso porque o dono do escritório, Alfredo Egydio de Souza Aranha, abriu outra empresa, agora na área têxtil, muito representativa na época, a Fiação e Tecelagem São Paulo. Instalada na Rua dos Trilhos, na Moóca, deu a Oscar novas responsabilidades, e, ao completar 24 anos, ele já era seu diretor de fiação.
Em 1932 foi fundado o Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem (atual Sinditêxtil-SP). Aqui começa a vida associativa de Oscar Augusto de Carvalho: filia-se à entidade e, em 1935, é nomeado seu diretor. Dezessete anos depois, na gestão 1952 a 1956, é eleito presidente.
Pouco antes, em 1945, passou a integrar o conselho fiscal da Fiesp/Ciesp. No fim da década seguinte, já era o primeiro vice-presidente.
Como representante das duas entidades, Oscar participou ativamente de missões comerciais internacionais (até para o Japão) e de projetos de desenvolvimento e aprimoramento tecnológico da indústria nacional. Nessa condição, tornou-se muito conhecido e respeitado, sendo admirado como verdadeira referência no meio industrial.
Em 1963, por sua visão progressista, Oscar foi convidado por Lélio de Toledo Piza e Almeida Filho, então presidente da Anfavea, a colaborar com a diretoria da Vemag, da qual era o diretor-superintendente, na forma do que hoje chamaríamos de consultoria – uma a duas horas por dia. Mas logo Oscar se apaixonou pela moderna e pujante indústria automobilística, e em 1964 assumiu cargo de tempo integral na Vemag, como diretor administrativo.
Em 1966 assume a presidência da Anfavea. E já em 1967 consegue uma de suas maiores realizações: a assinatura de acordo entre Brasil e Argentina para intercâmbio de componentes da indústria automobilística, costurado após longos meses de exaustivas negociações envolvendo a Alalc (Associação Latino-americana de Livre Comércio) e a Cacex (Carteira de Comércio Exterior, do Banco do Brasil). Ou seja: mais de duas décadas antes do Mercosul, Oscar Augusto de Carvalho já vislumbrava a fundamental importância da integração econômica entre os países da região.
Além disso, desde o período na indústria têxtil, sempre se mostrou incondicional defensor dos grandes eventos setoriais. Criou a Fenit, em 1958, e foi um dos maiores entusiastas do Salão do Automóvel. Foi durante sua gestão na Anfavea que o evento serviu de palco para a inauguração do Pavilhão de Exposições do Parque Anhembi, em 1970, que levou a mostra a novos e maiores patamares.
Após a aquisição da Vemag pela Volkswagen, em 1967, Oscar se transferiu para a Karmann Ghia do Brasil, onde ficou até 1976 como diretor-gerente.
A seguir, prosseguiu contribuindo com a indústria de mobilidade e transportes, mas agora em novo modal: aceitou convite para assumir a presidência da companhia estatal Ferrovia Paulista S.A., ou simplesmente Fepasa.
Incansável, aos 72 anos foi convencido a assumir a presidência do Instituto de Organização Racional do Trabalho, o IDORT, posto no qual permaneceu até 1991. Pouco depois, em 1995, completou 50 anos de atividades na diretoria da Fiesp/Ciesp.
Olavo Setúbal, empresário e ex-prefeito de São Paulo, assim definiu Oscar: “Ele simboliza o executivo competente e dinâmico, que manteve uma relação de rara lealdade para com as empresas, chefes e pessoas com quem trabalhou”.
Oscar Augusto de Carvalho faleceu em outubro de 1996, aos 88 anos, em São Paulo. Deixou aos três filhos e centenas de admiradores singelo, porém efetivo, ensinamento: “Não se preocupe com os problemas: se ocupe deles”.