Célio de Freitas Batalha
10/06/2026
Uma perda irreparável
Célio de Freitas Batalha foi o décimo segundo presidente da Anfavea e o único a falecer durante o exercício do mandato. Formado em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, destacou-se desde cedo pelo desempenho acadêmico e pela sólida formação jurídica.
Antes de ingressar na indústria automobilística, construiu carreira relevante no setor público e na área acadêmica. Atuou na Light, na Prefeitura de São Bernardo do Campo, na Secretaria Municipal de Finanças e como professor universitário nas áreas de Direito Tributário e Ciências das Finanças. Também foi coordenador do Instituto Internacional de Direito Público e Empresarial e juiz convidado do Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo.
Sua trajetória na indústria automobilística passou por três das maiores montadoras instaladas no país. Ingressou na Volkswagen na década de 1980, onde alcançou a diretoria de assuntos governamentais. Em 1993 transferiu-se para a Fiat Automóveis e, dois anos depois, assumiu a diretoria de assuntos corporativos da Ford. Também exerceu a vice-presidência da Fiesp.
Eleito presidente da Anfavea em abril de 2001, assumiu o cargo em um período de importantes desafios para o setor. Defensor das exportações como instrumento de crescimento da indústria nacional, participou das negociações que resultaram no acordo automotivo entre Brasil e Argentina e liderou tratativas relacionadas às relações comerciais com o México.
Também teve papel relevante durante a crise energética de 2001, demonstrando às autoridades a capacidade do setor automotivo de cumprir as metas de redução de consumo de energia sem comprometer suas operações.
Sua gestão foi interrompida de forma inesperada poucos meses após a posse. Internado em outubro de 2001, não resistiu a uma infecção generalizada e faleceu em 19 de outubro daquele ano, aos 51 anos.
Sua morte gerou profunda comoção em toda a cadeia automotiva. Lideranças empresariais, sindicais e políticas compareceram às cerimônias de despedida, reconhecendo sua capacidade de diálogo, liderança e articulação.
Célio Batalha deixou esposa, Ana Cristina, e três filhas, Talita, Carina e Melissa. Seu legado permanece associado à defesa da indústria automobilística, à capacidade de construir consensos e à dedicação ao desenvolvimento do setor.