Manuel Garcia Filho
10/06/2026
Uma cadeira especial na história estará sempre reservada aos homens e mulheres reconhecidamente pioneiros em seus ramos de atividade. Neil Armstrong, o primeiro astronauta a pisar na lua; Bertha Benz, a primeira motorista a completar uma viagem de longa distância em um automóvel; Pelé, o primeiro jogador de futebol a marcar mil gols; Manuel Garcia Filho, o primeiro presidente da Anfavea.
Aliás, ele não só foi o primeiro presidente da entidade, como também o primeiro presidente reeleito: além do mandato inicial, de 1956 a 1958, liderou ainda o segundo, de 1958 a 1960.
E que função heroica ele teve. Naquela época muita gente, acredite, era contrária à industrialização automotiva no Brasil. Dizia-se até, veja só, que não era possível fundir um bloco de motor no Brasil, por conta de seu “clima tropical”! E, é claro, havia também a turma dos que duvidavam da capacidade técnica dos brasileiros para produzir algo tão complexo e moderno quanto um automóvel, um caminhão, um ônibus ou um trator. Manuel Garcia Filho foi um dos personagens centrais na dura batalha para combater essas “fake news” de antigamente, demonstrando na prática o quanto essas visões eram antiquadas e equivocadas.
Ele nasceu em 1913 e estudou Humanidades no Colégio São Luís, em São Paulo, onde se formou em 1932. Depois, cursou a Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), obtendo seu diploma em 1941.
Porém, antes mesmo de se formar, já trabalhava no setor automotivo: inicialmente na Goodyear do Brasil, e anos mais tarde na Vemag S/A (Veículos e Máquinas Agrícolas S/A), uma das empresas pioneiras do setor automotivo brasileiro. A Vemag chegou a montar no Brasil automóveis Studebaker, caminhões Scania-Vabis e tratores Ferguson antes de seu maior feito, a produção de modelos DKW de origem alemã em sua fábrica no bairro do Ipiranga, em São Paulo – legítimos representantes da lista dos primeiros automóveis nacionais.
Por sua ativa liderança na Vemag, uma das fundadoras da Anfavea, Manuel Garcia Filho foi escolhido como presidente da nova associação. Seu mandato coincidiu com o do presidente Juscelino Kubitschek, que incentivou fortemente o desenvolvimento do Brasil a partir da industrialização. No último ano de seu segundo mandato, Manuel Garcia Filho testemunhou a inauguração de Brasília, a nova capital do país.
Sua visão de futuro era tamanha que em 1957 ele já lutava pela então chamada mecanização da lavoura, defendendo e demonstrando que, com ela, a agricultura no Brasil teria sua produtividade elevada e, ao mesmo tempo, seus custos reduzidos.
A vida associativa de Manuel Garcia Filho, por sinal, não se resumiu somente à Anfavea; ele foi também vice-presidente da Fiesp e presidente da Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos).
Teve ainda atuação destacada em instituições dedicadas ao desenvolvimento e à educação, como o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), o Liceu de Artes e Ofícios e o Instituto Roberto Simonsen.
O Senai, inclusive, batizou sua escola instalada em Diadema (SP) como Manuel Garcia Filho, em 1987. A unidade, que existe até hoje, oferecia cursos e treinamentos para eletricista de manutenção, caldeireiro, soldador, torneiro mecânico, ferramenteiro e mecânico geral.
Manuel Garcia Filho faleceu em 26 de novembro de 1986, prestes a completar 73 anos. Partiu deixando seu nome na primeira fila da história do setor automotivo brasileiro – e dele sempre será o primeiro quadro da galeria dos ex-presidentes da Anfavea.